Levantamentos realizados pela Emdagro contribuíram para ampliar o conhecimento sobre as duas culturas e despertaram interesse do IBGE em incorporá-las às estatísticas oficiais do estado

O cultivo de cacau e café em Sergipe ganhou uma nova dimensão a partir dos levantamentos realizados pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). Os dados produzidos pelos técnicos da empresa permitiram identificar e dimensionar atividades que ainda não apareciam de forma adequada nas estatísticas agropecuárias e contribuíram para que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ampliasse a atenção sobre essas duas culturas.
O tema foi discutido nessa sexta-feira, 21, durante a Reunião de Estatísticas Agropecuárias (Reagro), coordenada pelo IBGE. O encontro aconteceu na sede da Superintendência do instituto, em Aracaju, e reuniu representantes de instituições relacionadas ao planejamento, pesquisa, assistência técnica, extensão rural, estatística e crédito agrícola. Também esteve presente a chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias da Superintendência do IBGE em Sergipe, Hellie Mansur.
Os representantes da Emdagro, Eduardo Cabral, coordenador de Desenvolvimento Rural, e o técnico da Assessoria de Planejamento, Norivaldo Lima Santos, representaram a Emdagro e levaram informações sobre o cultivo do cacau e do café em Sergipe. Mais do que discutir a produção propriamente dita, a reunião destacou a importância de incorporar essas culturas ao acompanhamento estatístico oficial, a partir das informações que começaram a ser levantadas no estado.
A realização dos levantamentos pela Emdagro ajudou a revelar uma realidade que, até então, permanecia parcialmente fora das estatísticas agropecuárias. Com informações obtidas diretamente junto aos produtores e às propriedades rurais, os técnicos conseguiram identificar áreas de cultivo, municípios produtores e características das atividades.
No caso do café, o trabalho ganhou maior dimensão em 2025, quando a Emdagro realizou o primeiro Censo da Cafeicultura de Sergipe. O levantamento identificou plantios em 18 municípios, demonstrando que a cultura já estava presente em diferentes regiões do Estado, embora ainda não tivesse a mesma visibilidade nos registros estatísticos oficiais.
Os dados também mostraram que a cafeicultura era formada predominantemente por agricultores familiares e produtores de pequena escala. O levantamento permitiu, assim, não apenas conhecer onde estavam os cafeicultores, mas também identificar características e necessidades de uma atividade que começava a ganhar espaço no meio rural sergipano. A partir dessas informações, o cultivo do café passou a despertar maior atenção no âmbito da produção das estatísticas agropecuárias, contribuindo para a discussão sobre sua inclusão e acompanhamento sistemático pelo IBGE.
Processo semelhante ocorreu com o cacau. A cultura começou a ser identificada em Sergipe a partir de experiências desenvolvidas por pequenos agricultores da região citrícola. Em 2009, técnicos da Emdagro detectaram os primeiros cultivos e passaram a acompanhar o desenvolvimento da atividade.
A partir de 2012, os levantamentos e o acompanhamento técnico ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a presença da cultura no estado. A evolução das informações contribuiu para que o cacau também passasse a receber maior atenção nas discussões relacionadas às estatísticas agropecuárias.
O interesse do IBGE em incorporar e aperfeiçoar o acompanhamento dessas culturas representa um passo importante para que a realidade da agricultura sergipana seja retratada com maior precisão. Afinal, aquilo que não é medido acaba, muitas vezes, não sendo enxergado no planejamento público.
Estatísticas ajudam a conhecer uma nova realidade do campo
Durante a Reagro, o debate sobre cacau e café destacou justamente essa necessidade: aprimorar os mecanismos de levantamento e acompanhamento das culturas que vêm surgindo ou se fortalecendo no estado.
Para o engenheiro agrônomo, representante da Assessoria de Planejamento da Emdagro, Norivaldo Lima Santos, os levantamentos realizados no campo foram fundamentais para revelar a existência e a dimensão dessas atividades. “Quando começamos a levantar essas informações diretamente com os produtores, percebemos que havia uma produção que ainda não estava aparecendo nas estatísticas. O trabalho de campo permitiu conhecer melhor essa realidade e levar essas informações para a discussão com o IBGE. Agora, o mais importante é que essas culturas passem a ser acompanhadas de forma mais sistemática”, destacou.
A inclusão de novas culturas nas estatísticas oficiais também pode contribuir para melhorar o planejamento do setor agropecuário, uma vez que dados mais precisos permitem conhecer a distribuição territorial da produção, o número de produtores envolvidos e a evolução das áreas cultivadas.
No caso do café, a identificação de produtores em 18 municípios demonstrou que a atividade já apresentava uma presença mais ampla do que se imaginava. No cacau, o acompanhamento realizado ao longo dos últimos anos ajudou a consolidar informações sobre uma cultura que deixou de ser apenas uma experiência localizada e passou a integrar a realidade produtiva de Sergipe.
IBGE amplia olhar sobre as culturas sergipanas
A discussão realizada durante a Reagro reforçou a importância da integração entre os dados produzidos em campo e as estatísticas oficiais. O levantamento realizado pela Emdagro funcionou como uma espécie de fotografia inicial dessas atividades, permitindo ao IBGE conhecer melhor uma realidade que ainda não estava plenamente registrada.
A expectativa, a partir desse processo, é que cacau e café passem a integrar de maneira mais efetiva o acompanhamento das estatísticas agropecuárias de Sergipe, garantindo maior visibilidade aos produtores e uma representação mais fiel da diversidade da produção rural do estado.
Mais do que números, os levantamentos mostraram que novas atividades estavam surgindo e se fortalecendo no campo sergipano. E, agora, essas culturas começaram a ganhar também espaço nos números oficiais que ajudam a contar a história da agricultura de Sergipe.












