Início das obras da Adutora do Leite recebe visita técnica dos gestores


Dividida em quatro trechos, rede de pontos de abastecimento passará a operar de forma gradual, a partir de cada etapa concluída assegurando uma nova infraestrutura de segurança hídrica para o Alto Sertão.

Nesta terça-feira, 15 de setembro, a primeira das quatro etapas da Adutora do Leite Frei Enoque, no Alto Sertão Sergipano, recebeu a visita dos gestores da Secretaria de Estado da Agricultura, da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic). Nesta primeira fase, serão 17 km de tubulações, que irão fazer chegar a água do Rio São Francisco, a partir de Canindé de São Francisco, até o município de Poço Redondo.


No total, a obra terá 123 km de extensão, concluindo seu trajeto em Nossa Senhora da Glória. A previsão é atender 23 mil famílias do campo com água destinada à atividade agropecuária. Mas ao ser concluída, a Adutora do Leite também vai complementar a oferta de água ao abastecimento humano em 11 municípios, onde a previsão é a de atender 43 mil famílias até 2049.


A Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri); da empresa vinculada, Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse); executa as obras da Adutora do do Leite a partir dos R$ 618,2 milhões em recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e contrapartida estadual. A obra atende diretamente a região do estado que é líder na produção leiteira, mas onde os pecuaristas hoje têm dificuldade de acesso à água para manter os criatórios, que somam um rebanho bovino de aproximadamente 180 mil animais.


O secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, ressaltou que está é a maior obra estruturante para o sertão sergipano depois de 40 anos. “Estivemos no Assentamento Canadá, em Canindé do São Francisco, acompanhando de perto a execução dos primeiros 17 quilômetros de obra da Adutora Frei Enoque. Uma obra estratégica para o alto sertão sergipano, muito significativa porque é a maior obra estruturante com investimento público depois de cerca de 40 anos. Uma verdadeira redenção para a produção pecuária na região”, pontua o secretário.



As obras foram iniciadas no assentamento Canadá. Esta localidade, em Canindé, que vai receber o primeiro dos 20 pontos de abastecimento de água bruta e é por onde está iniciando a obra, com os primeiros metros de tubulação sendo assentados. Para o produtor local, Julio Cesar de Souza, cria cerca de 80 cabeças de ovinos e destaca a importância da obra para garantir melhores condições de produção. O local será o primeiro dos 20 pontos de abastecimento de água bruta previstos no projeto. “Vai mudar muita coisa, principalmente no nosso custo para comprar água. Hoje a gente paga muito caro para vir água da rua, de Canindé”, relata o produtor. Com a redução da distância para buscar água para os animais, ele estima uma economia de aproximadamente 50% nos custos atuais.


O diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, companhia responsável pela execução da obra, explica que a adutora vai diminuir a distância de acesso à água do Rio São Francisco, durante todo ano, sem a dependência das chuvas. “A perspectiva é de beneficiar não somente os municípios por onde acontece a obra, de Canindé até Nossa Senhora da Glória. Mas sim, toda região circunvizinha, porque vai encurtar as distâncias. Haverá um ponto de abastecimento, em média, a cada 5 km do trajeto da adutora”, destacou Paulo Sobral.


Ainda de acordo com diretoria da Cpderse, além da tubulação, a obra contempla o projeto de adequação da Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB-100), no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé; a construção de outras quatro novas EEABs; 21 reservatórios e os 20 pontos de distribuição, situados em Canindé, Poço Redondo, Monte Alegre de Sergipe e Glória. “A partir desta rede de distribuição de água bruta, os produtores do alto sertão, terão um local de abastecimento de água bem mais próximo dos que atualmente os atende, através dos carros-pipa, que hoje vão buscar a água próximo do Rio São Francisco”.



Outra informação importante é que, havendo esta divisão da obra em quatro etapas, o projeto prevê que cada um desses trechos passe a operar o abastecimento de água ao serem concluídos. Acelerando o acesso e tornando essa água, gradativamente, mais próxima de quem hoje precisa pagar pelo deslocamento até suas propriedades”, complementou Lucas Azevedo. Na Coderse, é o seu que setor colabora, acompanha e fiscaliza a atuação do Consórcio Heca-Camel – Obras Hídricas, licitado para a execução da Adutora do Leite.


Abastecimento humano


Ao chegar em Glória — ponto final da obra, prevista para ocorrer em 1.080 dias — a Adutora do Leite vai também passar a oferecer uma reserva técnica necessária à cobertura do déficit para abastecimento humano, estimado em 100 l/s. Esse volume atende à demanda do crescimento populacional, previsto até 2049, no próprio município e em Carira, Frei Paulo, Moita Bonita, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Pedra Mole, Pinhão, Ribeirópolis, São Miguel do Aleixo e Simão Dias. Reforçando a oferta hídrica aos sistemas integrados das adutoras do Alto Sertão e Semiárido.

Sergipe se prepara para o ‘Super El Niño’ com obras hídricas rurais no semiárido


Desde 2023, ações da Coderse já beneficiaram aproximadamente 18 mil famílias do campo, facilitando o acesso à água

Em contrapartida à previsão dos impactos provocados do ‘Super El Niño’, em 2026, 2027, podendo persistir até 2028, o Estado de Sergipe executa políticas públicas de segurança hídrica nos municípios de clima semiárido. Teve início, neste mês de setembro, a edição 2026 do programa de recuperação de barragens de terra, para acumular água das chuvas e atender à população e seus rebanhos; assim como a construção da Adutora do Leite Frei Enoque — prevista a atender 23 mil famílias do campo e até 2049, 43 mil famílias da cidade e povoados. Já a perfuração de poços com sistemas de abastecimento acontece desde janeiro, totalizando 65 poços já perfurados somente neste ano.

A Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), por meio da empresa vinculada, Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), está executando o programa de recuperação e aguadas nos municípios de Nossa Senhora da Glória, Feira nova, Poço Redondo, Canindé de São Francisco e Gararu. Ainda neste ano, o serviço também será ampliado para os municípios de Monte Alegre de Sergipe e Itabi, a partir de um investimento de R$ 5 milhões.

O produtor rural José Luís, do assentamento Adão Preto, em Canindé de São Francisco, no Alto Sertão Sergipano, está satisfeito com a limpeza da barragem de terra de médio porte, realizada na última semana, e que vai fornecer água, assim que as próximas chuvas fizerem a recarga.”Temos esta barragem, que há mais de 30 anos não limpava, tinha mais de metro e meio de lama e a gente agora está satisfeito, porque ela está limpa para sustentar a água para os nossos animais beberem aqui no nosso sertão sergipano. Não tinha condição nunca de um pobre fazer um serviço desse aqui”, considerou.

O trabalho de engenharia retira o excesso de sedimentos no leito desses reservatórios de terra, reconstroi barreiras, taludes e limpa a vegetação, objetivando recuperar e ampliar a capacidade de acúmulo das águas das chuvas. Isso faz aumentar a capacidade de enfrentamento aos períodos de estiagem que a atividade rural precisa ter na região de clima Semiárido.

Ainda em Canindé, Zezito de Almeida vive e trabalha na atividade rural no povoado Curituba. Ele agradece o trabalho de limpeza da barragem que atende as famílias da localidade Serra Grande 2, também realizado na última semana. “Vai servir para um monte de gente aqui. Aqui é uma sociedade de mais de 30 pessoas. A barragem é de todo mundo, é uma barragem comunitária. Muito obrigado a todos e vamos fazer a barragem ficar boa para todo mundo”, pontuou.

De 2023 até 2025, o Estado de Sergipe já recuperou e ampliou 1.310 barragens médias, comunitárias, e pequenas aguadas, aquelas em propriedades de pequenos produtores rurais. Naquele período, a estimativa é que tenham sido beneficiadas oito mil famílias sergipanas no campo, a partir do investimento de R$ 7,8 milhões. A função principal dessa água de chuva acumulada é a dessedentação animal.

Super El Niño

O El Niño ocorre a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera a circulação dos ventos e diminui a formação de nuvens de chuva que vêm para o Nordeste. É grande a probabilidade de que ele provoque secas prolongadas e ondas de calor intenso na região. Pelo aumento de calor histórico previsto, ele já está sendo classificado como ‘Super El Niño’.

Banco de sementes de citros apresenta primeiros resultados


Variedade mais resistente a pragas e doenças começa a ser utilizada na produção de sementes de porta-enxertos

O banco de produção de sementes de porta-enxertos cítricos começa a apresentar os primeiros resultados. Localizado em uma área de um hectare, no Centro de Fruticultura Tropical da Emdagro, no município de Boquim, o empreendimento realiza a primeira colheita de sementes da variedade de tangerina Sunki Tropical. A iniciativa promove a produção de sementes com qualidade genética e sanitária, beneficiando cerca de 25 viveiristas cadastrados na empresa, e integra as ações voltadas ao fortalecimento da citricultura sergipana.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emdagro, Adriano Pimentel Farias, o trabalho amplia o acesso a porta-enxertos mais resistentes e fortalece a produção de mudas adaptadas às condições da região citrícola de Sergipe. “Na área, além da Sunki Tropical, são cultivadas outras quatro variedades de porta-enxertos: Citrandarim San Diego, Riverside, Índio e Cravo Santa Cruz, que serão utilizadas por viveiristas e produtores rurais na implantação de novos pomares”, observou.

Segundo ele, essa primeira colheita é resultado de um campo implantado em 2023. A variedade Sunki Tropical produz frutos três vezes ao ano. As cinco variedades terão capacidade para produzir de 350 mil a 400 mil mudas anualmente, uma contribuição muito importante para a citricultura do Estado, com plantas mais resistentes a pragas e doenças, disse Adriano Pimentel.

Como no caso do viveirista Nivaldo Araújo Santos, do povoado Limoeiro, em Lagarto, que há mais de 20 anos produz na citricultura. “Nosso sucesso se dá em grande parte graças a Emdagro, que faz um trabalho de fundamental importância com os viveiristas da região, fornecendo borbulhas de origem comprovada e atestadas pelo Ministério da Agricultura”, disse o produtor que trabalha com muitas variedades de citros, a exemplo da laranja pera, limão taiti e siciliano, laranja lima e tangerina. “Além disso fazemos uma grande economia, com o recebimento das borbulhas gratuitamente e temos assistência técnica constantemente”, confirmou.

“Sem essa ajuda da Emdagro os produtores não teriam como continuar na citricultura, devido aos custos muito altos. Sem falar que as borbulhas têm garantia de qualidade genética, rastreabilidade e alta produtividade para os pomares sergipanos”, observou Diego Gonçalves dos Santos que cresceu vendo o pai, Danilo Ribeiro, trabalhando na área. Hoje formado em estatística, o funcionário público federal ajuda ao pai na lida com os pomares de citros e destaca a grande ajuda que recebem do órgão estadual. “No mercado uma unidade de borbulha custa em média R$ 0,60 e no nosso caso isso representa uma economia de R$ 6 mil em nosso orçamento.

Da colheita ao uso das sementes

O trabalho realizado no Centro de Fruticultura Tropical da Emdagro abrange todas as etapas, desde a colheita até a distribuição das sementes. “Após a colheita, os frutos são selecionados e as sementes são separadas. O processo é realizado de forma manual ou com o auxílio de uma máquina descaroçadora. Em seguida, as sementes são lavadas e passam por processos de secagem e tratamento contra contaminações antes de serem entregues aos viveiristas, que recebem as sementes”, explicou Adriano.

“O material já sai daqui acompanhado do termo de conformidade e da nota fiscal, documentos exigidos pelo Ministério da Agricultura como garantia de origem e de sanidade vegetal”, pontuou.

Para o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Emdagro, Jean Carlos Nascimento, a iniciativa é de grande importância e tem como objetivo fortalecer a cadeia produtiva da citricultura sergipana. “Nosso propósito é continuar garantindo a quantidade e a qualidade dos pomares cítricos. Isso contribui para que Sergipe amplie sua participação entre os principais produtores de citros do país”, afirmou.

Ainda de acordo com o diretor, as novas variedades de laranja, com alta qualidade produtiva, são desenvolvidas a partir de materiais fornecidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em cooperação técnica com a Emdagro.

Agroindústrias devem ficar atentas às novas regras de modernização de registro de produtos de origem animal

Portaria da Emdagro otimiza procedimentos; estabelecimentos passam a inserir documentação diretamente no sistema do Serviço de Inspeção Estadual (SIE)

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) publicou, no último dia 25 de agosto, a Portaria nº 99/2026, que atualiza os procedimentos para o registro de produtos de origem animal no Serviço de Inspeção Estadual (SIE). A medida, que já está em vigor, marca um avanço na modernização dos processos, com foco no registro automático e na autonomia dos estabelecimentos na condução dos registros.

Com a nova regra, os estabelecimentos registrados passam a ser responsáveis por inserir diretamente no sistema toda a documentação necessária para o registro de produtos. A mudança reorganiza o fluxo de tramitação e elimina etapas intermediárias, tornando o processo mais ágil e centralizado em ambiente digital.

Segundo a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, a atualização representa um passo importante na modernização da gestão do serviço. “Estamos avançando para um modelo mais moderno e digital, em que o próprio estabelecimento insere suas informações no sistema. Isso dá mais autonomia ao setor produtivo e torna o processo mais dinâmico e transparente”, explica.

Processo mais digital

O Serviço de Inspeção Estadual é responsável pelo registro e acompanhamento de produtos de origem animal produzidos em Sergipe. Com a nova portaria, o fluxo de registro passa a ser realizado de forma mais integrada ao sistema digital da Emdagro, concentrando informações e documentos em uma única plataforma.

Na prática, os estabelecimentos deixam de depender de etapas presenciais ou intermediadas para a entrega de documentação, passando a realizar todo o envio de forma eletrônica. A expectativa é de maior agilidade na análise e padronização das informações apresentadas. A mudança atinge um conjunto diverso de estabelecimentos, incluindo pequenas, médias e grandes agroindústrias, que agora passam a operar dentro de um modelo mais digitalizado de gestão de registros.

Autonomia para o setor produtivo

A principal inovação da portaria está na transferência da responsabilidade de inserção dos dados e documentos para os próprios estabelecimentos. Com isso, o processo de registro se torna mais direto, com maior autonomia para o setor produtivo e redução de etapas administrativas. Para as empresas, o registro automático tende a facilitar o acompanhamento dos processos em andamento e a organização das informações exigidas para regularização de produtos. O sistema também permite maior rastreabilidade das solicitações e centralização dos dados.

A Emdagro destaca que a medida acompanha uma tendência de modernização da administração pública, com uso de ferramentas on-line para otimizar serviços e aproximar o setor produtivo dos sistemas de controle.

Avanço na gestão do SIE

A atualização do procedimento de registro integra um conjunto de ações voltadas à modernização do Serviço de Inspeção Estadual em Sergipe. O registro automático dos processos busca tornar a gestão mais eficiente e reduzir a dependência de trâmites físicos. A expectativa da Emdagro é que o novo modelo torne o ambiente regulatório mais simples e funcional para os estabelecimentos, ao mesmo tempo em que fortalece a gestão das informações relacionadas aos produtos de origem animal no estado.

“Modernizar o serviço de inspeção não significa diminuir o rigor sanitário. Na verdade, estamos buscando tornar os procedimentos mais claros e eficientes para que os estabelecimentos consigam cumprir suas obrigações com mais facilidade, enquanto os nossos profissionais podem atuar de forma ainda mais organizada e qualificada. É uma modernização que beneficia o setor produtivo e, principalmente, a sociedade”, destaca Aparecida Andrade.

Cacau e café entram no radar das estatísticas agropecuárias de Sergipe

Levantamentos realizados pela Emdagro contribuíram para ampliar o conhecimento sobre as duas culturas e despertaram interesse do IBGE em incorporá-las às estatísticas oficiais do estado

O cultivo de cacau e café em Sergipe ganhou uma nova dimensão a partir dos levantamentos realizados pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). Os dados produzidos pelos técnicos da empresa permitiram identificar e dimensionar atividades que ainda não apareciam de forma adequada nas estatísticas agropecuárias e contribuíram para que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ampliasse a atenção sobre essas duas culturas.

O tema foi discutido nessa sexta-feira, 21, durante a Reunião de Estatísticas Agropecuárias (Reagro), coordenada pelo IBGE. O encontro aconteceu na sede da Superintendência do instituto, em Aracaju, e reuniu representantes de instituições relacionadas ao planejamento, pesquisa, assistência técnica, extensão rural, estatística e crédito agrícola. Também esteve presente a chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias da Superintendência do IBGE em Sergipe, Hellie Mansur.

Os representantes da Emdagro, Eduardo Cabral, coordenador de Desenvolvimento Rural, e o técnico da Assessoria de Planejamento, Norivaldo Lima Santos, representaram a Emdagro e levaram informações sobre o cultivo do cacau e do café em Sergipe. Mais do que discutir a produção propriamente dita, a reunião destacou a importância de incorporar essas culturas ao acompanhamento estatístico oficial, a partir das informações que começaram a ser levantadas no estado.

A realização dos levantamentos pela Emdagro ajudou a revelar uma realidade que, até então, permanecia parcialmente fora das estatísticas agropecuárias. Com informações obtidas diretamente junto aos produtores e às propriedades rurais, os técnicos conseguiram identificar áreas de cultivo, municípios produtores e características das atividades.

No caso do café, o trabalho ganhou maior dimensão em 2025, quando a Emdagro realizou o primeiro Censo da Cafeicultura de Sergipe. O levantamento identificou plantios em 18 municípios, demonstrando que a cultura já estava presente em diferentes regiões do Estado, embora ainda não tivesse a mesma visibilidade nos registros estatísticos oficiais.

Os dados também mostraram que a cafeicultura era formada predominantemente por agricultores familiares e produtores de pequena escala. O levantamento permitiu, assim, não apenas conhecer onde estavam os cafeicultores, mas também identificar características e necessidades de uma atividade que começava a ganhar espaço no meio rural sergipano. A partir dessas informações, o cultivo do café passou a despertar maior atenção no âmbito da produção das estatísticas agropecuárias, contribuindo para a discussão sobre sua inclusão e acompanhamento sistemático pelo IBGE.

Processo semelhante ocorreu com o cacau. A cultura começou a ser identificada em Sergipe a partir de experiências desenvolvidas por pequenos agricultores da região citrícola. Em 2009, técnicos da Emdagro detectaram os primeiros cultivos e passaram a acompanhar o desenvolvimento da atividade.

A partir de 2012, os levantamentos e o acompanhamento técnico ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a presença da cultura no estado. A evolução das informações contribuiu para que o cacau também passasse a receber maior atenção nas discussões relacionadas às estatísticas agropecuárias.

O interesse do IBGE em incorporar e aperfeiçoar o acompanhamento dessas culturas representa um passo importante para que a realidade da agricultura sergipana seja retratada com maior precisão. Afinal, aquilo que não é medido acaba, muitas vezes, não sendo enxergado no planejamento público.

Estatísticas ajudam a conhecer uma nova realidade do campo

Durante a Reagro, o debate sobre cacau e café destacou justamente essa necessidade: aprimorar os mecanismos de levantamento e acompanhamento das culturas que vêm surgindo ou se fortalecendo no estado.

Para o engenheiro agrônomo, representante da Assessoria de Planejamento da Emdagro, Norivaldo Lima Santos, os levantamentos realizados no campo foram fundamentais para revelar a existência e a dimensão dessas atividades. “Quando começamos a levantar essas informações diretamente com os produtores, percebemos que havia uma produção que ainda não estava aparecendo nas estatísticas. O trabalho de campo permitiu conhecer melhor essa realidade e levar essas informações para a discussão com o IBGE. Agora, o mais importante é que essas culturas passem a ser acompanhadas de forma mais sistemática”, destacou.

A inclusão de novas culturas nas estatísticas oficiais também pode contribuir para melhorar o planejamento do setor agropecuário, uma vez que dados mais precisos permitem conhecer a distribuição territorial da produção, o número de produtores envolvidos e a evolução das áreas cultivadas.

No caso do café, a identificação de produtores em 18 municípios demonstrou que a atividade já apresentava uma presença mais ampla do que se imaginava. No cacau, o acompanhamento realizado ao longo dos últimos anos ajudou a consolidar informações sobre uma cultura que deixou de ser apenas uma experiência localizada e passou a integrar a realidade produtiva de Sergipe.

IBGE amplia olhar sobre as culturas sergipanas

A discussão realizada durante a Reagro reforçou a importância da integração entre os dados produzidos em campo e as estatísticas oficiais. O levantamento realizado pela Emdagro funcionou como uma espécie de fotografia inicial dessas atividades, permitindo ao IBGE conhecer melhor uma realidade que ainda não estava plenamente registrada.

A expectativa, a partir desse processo, é que cacau e café passem a integrar de maneira mais efetiva o acompanhamento das estatísticas agropecuárias de Sergipe, garantindo maior visibilidade aos produtores e uma representação mais fiel da diversidade da produção rural do estado.

Mais do que números, os levantamentos mostraram que novas atividades estavam surgindo e se fortalecendo no campo sergipano. E, agora, essas culturas começaram a ganhar também espaço nos números oficiais que ajudam a contar a história da agricultura de Sergipe.

Exporanga 2026 começa em Itaporanga d’Ajuda com meta de dobrar negócios


Feira agropecuária reúne mais de 350 animais, palestras e leilões para impulsionar o setor em Sergipe

Consolidada como uma das principais feiras agropecuárias de Sergipe, a Exporanga foi aberta oficialmente na noite desta quarta-feira, 19 e acontece até o próximo sábado, 22 de agosto, na praça de eventos de Itaporanga d’Ajuda, reunindo mais de 350 animais, entre bovinos, ovinos e caprinos. Em sua terceira edição, a expectativa dos organizadores é dobrar os números do ano passado, quando foram contabilizados R$ 5 milhões em negócios e 10 mil pessoas visitando o espaço, entre produtores rurais, técnicos, estudantes, empreendedores e famílias sergipanas.

Realizada pela Federação da Agricultura e Pecuária (Faese) e Senar Sergipe a feira espera promover a integração entre conhecimento, inovação, negócios e valorização da produção rural durante uma vasta programação que vai contar com exposição de animais e julgamentos das principais raças, leilões, oficinas práticas, palestras, encontros com produtores, atividades para crianças, atendimento em saúde, além de espaços voltados para orientação técnica e troca de experiências.


De acordo com o presidente do Sistema Faese/Senar, Gustavo Dias, a Exporanga representa um importante espaço para fortalecer o setor agropecuário sergipano, levando conhecimento, inovação e oportunidades diretamente aos produtores rurais. “Realizar e participar da Exporanga reforça nossa missão de promover o desenvolvimento sustentável do campo por meio da educação profissional, da assistência técnica e da difusão de tecnologias”, destacou.

Para o secretário de Estado da Agricultura, em exercício, Otávio Sobral, eventos como esse fortalecem os négocios produtivos no meio rural e criam novas oportunidades para quem vive da agropecuária em Sergipe. “Estamos satisfeitos em ver o quanto a Exporanga está crescendo, desde que foi dado o pontapé inicial, ainda na minha administração enquanto prefeito municipal e são ações como essa que incentivam o empreendedorismo rural e contribuem para o crescimento econômico e social de toda a região”, pontuou o secretário Executivo.


O prefeito de Itaporanga, Ivan Sobral, ressaltou a alegria em sediar a Exporanga que já em sua segunda edição, no ano passado, se destacou como a maior feira agropecuária do Nordeste, com gado Girolando em pista. “É Sergipe mostrando a sua força e recebendo também outros planteis de referência, de toda a região, com qualidade leiteira já reconhecida em todo o Brasil”, disse ao enfatizar que este ano a Exporanga vai bater um novo recorde em negócios e no número de visitantes.

Compostagem resiste na agricultura familiar de Sergipe e impulsiona produção de alimentos orgânicos


Técnica sustentável de adubação é prática antiga, que perdeu um pouco do espaço com o uso massivo de fertilizantes químicos, mas continua sendo utilizada com sucesso por agricultores em São Cristóvão

O uso da compostagem na agricultura familiar ainda é uma prática bem presente em propriedades rurais de Sergipe, principalmente na produção de itens orgânicos. A técnica, que consiste na reutilização de materiais orgânicos descartados na natureza, serve para produzir adubo rico em nutrientes para o solo para ser usado em áreas de monocultivo de coqueiro, em pequenas hortas de fundo de quintal e em plantações orgânicas. Além disso, o material tem a vantagem de não ser prejudicial para a vida humana.

O agricultor José Renilson Barros, conhecido como Dedé da Verdura, do Povoado Candeal, no município de São Cristóvão, é produtor de orgânicos e utiliza a compostagem em toda a sua plantação. “Há mais de 15 anos trabalho com essa prática na produção de minhas hortaliças, legumes e tubérculos, tudo de forma saudável e certificada”, disse José Renilson, ao destacar que 90% da adubação é feita com coisas que tem no próprio terreno. “Assim, a gente protege o meio ambiente e produz um alimento mais saudável”, ressaltou.

Segundo ele, a compostagem é feita 100% manual e requer paciência, por ser uma técnica demorada. “Além disso, temos muita dificuldade em conseguir mão-de-obra, para trabalhar no preparo, mas não há outro caminho a não ser esse para produzirmos um alimento de qualidade”, afirmou.

Também em São Cristóvão, o agricultor José Anastácio do Nascimento faz uso da prática no Povoado Rita Cacete, onde planta orgânicos que comercializa em feiras livres e também para a merenda escolar do município. Major, como é chamado na região, tem vasta experiência como agricultor familiar e iniciou na produção de orgânicos ainda com seu pai, na década de 80.

“Somente com o uso da compostagem conseguimos produzir itens saudáveis e de procedência”, destacou José Anastácio, ao observar que realiza esse trabalho com apoio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), responsável por prestar assistência técnica aos agricultores sergipanos.

De acordo com o engenheiro agrônomo e assessor técnico em Agroecologia na Emdagro, Lucas Travassos Deda, a técnica da compostagem é uma prática muito antiga, que perdeu um pouco do espaço na agricultura, com o uso massivo de fertilizantes químicos. “Atualmente, muitos agricultores preferem adquirir um produto pronto, em vez de dominar o conhecimento e o processo de produção desse insumo dentro da própria propriedade. Além disso, a redução da mão de obra no campo também contribuiu para diminuir o interesse por práticas que exigem conhecimento técnico específico e maior dedicação na sua execução”, disse.

Como é feita a compostagem

Lucas Travassos explica que, para realizar a compostagem, inicialmente, são utilizados materiais mais lignificados (duros), como folhas e galhos, que possuem baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas, mas quando misturados a fontes mais ricas em nitrogênio, como esterco de gado, de aves ou de ovinos, ocorre a intensa atuação dos microrganismos responsáveis pela decomposição.

“Pesquisas recentes têm demonstrado que o aproveitamento da palhada do coqueiro, quando cortada e acumulada ao redor das plantas, favorece um processo natural de compostagem, promovendo a formação de matéria orgânica de qualidade e aumentando a eficiência no aproveitamento desse resíduo”, destacou.

Ao final desse processo, obtém-se um composto bioestabilizado, ou seja, um material com grande capacidade de permanência no solo, contribuindo para o aumento da matéria orgânica e da fertilidade. “Além disso, esse composto promove a liberação lenta e contínua de nutrientes, melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo e favorece um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento das plantas”, pontuou, ao destacar o trabalho realizado no Centro de Difusão de Tecnologia da Emdagro, em Itabaiana.

O projeto intitulado ‘A Casa da Agroecologia em Sergipe’ prevê a implantação de vitrines de tecnologias alternativas, voltadas à agricultura familiar, especialmente na área de bioinsumos. “Nesse contexto, a compostagem é uma das vitrines implantadas no Centro de Difusão de Tecnologia (CDT) da Emdagro de Itabaiana. Atualmente, desenvolvemos três processos distintos: a compostagem em leiras aeróbias, a vermicompostagem, que utiliza anelídeos, como a minhoca-africana, para a produção de húmus, e a gongo compostagem, que utiliza um diplópode, popularmente conhecido como gongolo ou piolho-de-cobra, também para a produção de húmus”, explicou o engenheiro agrônomo.

Ainda segundo ele, as vitrines funcionam como unidades permanentes de demonstração tecnológica, onde agricultores, estudantes e técnicos podem conhecer as práticas, trocar experiências e aprender, na prática, como implantar e conduzir cada uma dessas tecnologias em suas propriedades.

Os agricultores interessados podem obter mais informações sobre como fazer o processo de compostagem no CDT da Emdagro de Itabaiana, que fica localizado no Povoado Agrovila, Perímetro Irrigado Jacarecica I e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

Ceasa Aracaju e Conab discutem parcerias e integração ao sistema nacional


Desde 2024, Coderse administra entreposto público de comercialização de hortifrutigranjeiros para atacado e varejo

A Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa Aracaju) está prestes a integrar o Sistema de Informações de Mercados de Abastecimento do Brasil (Simab). Uma reunião entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), realizada na última quinta-feira, 13, seguida de uma visita à Ceasa, marcou o início da parceria que colocará Sergipe em pé de igualdade com outras 35 centrais de abastecimento do país, ao compartilhar com a população, mercados e governos informações sobre preços, volume e origem dos alimentos comercializados no entreposto estadual.

Durante a visita à central, os representantes da Conab aplicaram à gerência da Ceasa um diagnóstico de funcionamento, seguido de uma capacitação para operação dos sistemas nos quais os dados de Sergipe serão inseridos. Desde 2024, a Ceasa Aracaju é administrada diretamente pela Coderse, empresa vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).

O superintendente regional da Conab em Sergipe, Janderson Maués, informa que o objetivo da parceria é fazer com que a Ceasa de Aracaju passe a integrar o Simab. “Isso fará com que consigamos publicar, em nível nacional, dados do mercado hortigranjeiro sergipano. A ideia hoje é conhecer o sistema, participar do diagnóstico e inserir a comercialização desses produtos em nosso banco de dados. Essa informação é muito importante para pensar e executar políticas públicas, pois permite enxergar a produção, a comercialização e a rota que o produto sergipano percorre pelo país”, avalia.

Para o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, ao fazer parte desses sistemas da Conab, não apenas a Ceasa, mas toda a produção agrícola sergipana ganhará mais visibilidade. “Isso vai atrair ainda mais negócios e gerar competitividade para o que é produzido no estado. Para nós, como parte da Secretaria da Agricultura, será uma fonte valiosa de informações sobre o comportamento do nosso agronegócio, principalmente nos sete perímetros irrigados que pertencem à Coderse, orientando ações efetivas, necessidades de atenção e novos investimentos públicos do Estado”, destaca.

Nova administração

A Ceasa de Aracaju é um espaço público pertencente à Coderse, com 34.085 m² de área total, dos quais 6.908 m² são ocupados por 12 blocos onde funcionam 109 lojas e 71 bancas. Aos sábados, parte do estacionamento recebe mais de 100 bancas da Feira do Produtor.

Por determinação judicial, decorrente de ação do Ministério Público Estadual, em maio de 2024 a Coderse reassumiu a administração da Ceasa, anteriormente realizada pela associação de permissionários. Desde então, a empresa tem investido recursos do Estado no reforço de pessoal, segurança e limpeza. Atualmente, estão em andamento obras de revitalização, com investimento de quase R$ 150 mil, destinados à recuperação da pavimentação interna e do depósito de lixo. Paralelamente, a Coderse elabora e viabiliza projetos de reforma da infraestrutura, implantação de nova pavimentação, sinalização interna e modernização do sistema de romaneio, com previsão de mais de R$ 3,7 milhões em investimentos.

Prohort

Além do Simab, o diálogo com os representantes da Conab abre caminho para que a Ceasa Aracaju participe do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), voltado à ampliação da interação com entes governamentais e com a cadeia de produção e distribuição de alimentos, atraindo melhorias e ampliando as funções dos mercados atacadistas.

Analista e engenheira-agrônoma da Gerência de Produtos Hortigranjeiros (Gehor) e da Superintendência de Gestão da Oferta (Sugof) da Conab, Thais França Silva esteve em Aracaju para aplicar o diagnóstico da Ceasa. “Em nossa gerência funciona o Prohort, e estamos levantando informações nas 74 Ceasas existentes no país. A de Aracaju foi uma das escolhidas para o diagnóstico de Visão de Futuro, que avalia a realidade atual e a visão projetada para os próximos cinco anos. Também buscamos integrá-la ao nosso banco de dados, no qual coletamos informações de comercialização e preços de 35 Ceasas por meio do Simab. A qualidade da informação depende dessas alianças estabelecidas entre as Ceasas e a Conab”, complementa a analista.

15ª Festa Amigos do Leite celebra a força da pecuária leiteira sergipana 

Evento realizado em Santa Rosa do Ermírio reúne produtores de vários estados, destaca a maior produtividade leiteira do Brasil e fortalece a economia do alto sertão sergipano

A 15ª edição da Festa Amigos do Leite, realizada entre os dias 6 e 9 de agosto, no Povoado Santa Rosa do Ermírio, no município de Poço Redondo, reafirma o protagonismo da pecuária leiteira sergipana. Sede da maior produtividade de leite do Brasil, o município recebe produtores, criadores, empresas e instituições do setor em um dos maiores eventos da cadeia leiteira do Nordeste. A expectativa da organização é movimentar cerca de R$ 50 milhões na economia regional durante os quatro dias de programação.

Consolidada no calendário agropecuário de Sergipe, a Festa Amigos do Leite reúne leilões, torneios leiteiros, exposição de animais, além de estandes com máquinas, implementos, insumos, serviços e agentes financeiros. O evento evidencia o elevado padrão genético dos rebanhos de Sergipe e de outros estados do Nordeste, fortalecendo o intercâmbio de tecnologias e oportunidades de negócios.

De acordo com dados da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Poço Redondo é o maior produtor de leite do estado e o município com maior produtividade leiteira do país, alcançando média de 3.960 litros de leite por vaca ao ano. Para efeito de comparação, a média estadual é de 2.336 litros, enquanto a média nacional é de 1.343 litros por vaca ao ano. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2025), o município também figura entre os 20 maiores produtores de leite do Brasil.

O vice-presidente da Associação Amigos do Leite e organizador do evento, Alisson Silva, explica que a elevada produtividade da região faz do torneio leiteiro um dos momentos mais aguardados da programação e destaca uma novidade desta edição. “Apesar das dificuldades, o evento acontece com muito sucesso. Este ano, a novidade é que estamos realizando dois torneios leiteiros: o nacional e o local. O torneio local dá oportunidade para os pequenos produtores da região participarem, enquanto o nacional reúne grandes produtores com animais de Sergipe, Bahia, Alagoas, Pernambuco e Minas Gerais. São três ordenhas por dia, durante os quatro dias de evento. Nossa expectativa é que a vaca vencedora supere os 114 quilos de leite por dia, resultado alcançado pela campeã da edição passada”, destacou.

Monitoramento de resíduos de agrotóxicos reforça a segurança dos alimentos produzidos em Sergipe


Coletas realizadas em dez municípios integram ação de fiscalização que analisa resíduos de defensivos agrícolas em alimentos cultivados no estado

O monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos produzidos em Sergipe teve início em fevereiro de 2026 e continua em andamento em propriedades rurais dos municípios de Lagarto, Riachão do Dantas, Salgado, Areia Branca, Itabaiana, Indiaroba, Propriá, Neópolis, Pinhão e Itaporanga d’Ajuda. Até o momento, foram coletadas amostras de banana, acerola, mamão, melancia, abacaxi, milho-verde e citros, além de amostras de couve e alface, estas destinadas exclusivamente à calibração dos equipamentos laboratoriais.

O trabalho integra as ações de fiscalização desenvolvidas pela Coordenadoria de Insumos Agropecuários da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), em parceria com o Ministério Público de Sergipe, por meio da Promotoria do Meio Ambiente, e tem como finalidade verificar o cumprimento da legislação sobre o uso de defensivos agrícolas.

As análises são realizadas pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa de Sergipe (ITPS), utilizando protocolo capaz de identificar até 271 princípios ativos de agrotóxicos. A avaliação segue os parâmetros estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Em duas amostras de acerola consideradas irregulares foram encontrados resíduos de imidacloprido acima do limite máximo permitido pela legislação, além da presença de princípios ativos não autorizados para essa cultura, entre eles imidacloprido e tiametoxam.

De acordo com a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, o monitoramento permite verificar se os produtos estão sendo utilizados conforme as recomendações previstas para cada cultura. “As análises avaliam tanto o respeito aos limites máximos de resíduos quanto a utilização de ingredientes ativos autorizados para cada cultura. Essas informações subsidiam as medidas administrativas previstas na legislação e também as ações de orientação aos envolvidos”, observou.

Segundo os resultados laboratoriais, não foi constatada situação que indicasse risco imediato de intoxicação aguda. A preocupação técnica está relacionada à exposição contínua a resíduos acima dos limites legais ou ao emprego de produtos não autorizados para determinada cultura. A fiscalização apontou que, nos casos analisados, os produtores seguiram as orientações constantes dos receituários agronômicos apresentados durante a inspeção.

Em razão disso, os agricultores receberam advertências e orientações técnicas, enquanto as revendas responsáveis pela emissão dos receituários foram autuadas. Em um terceiro caso, embora tenha sido detectado resíduo acima do limite permitido, não foram encontrados elementos suficientes para comprovar aplicação irregular pelo produtor, permanecendo a hipótese de contaminação por deriva.

Segundo Aparecida Andrade, além das medidas fiscalizatórias, o monitoramento produz informações que orientam futuras ações técnicas. “O objetivo é identificar situações que exijam adequação às normas vigentes. Os resultados também servem de base para orientar produtores, profissionais habilitados e demais participantes da cadeia produtiva quanto ao uso correto dos defensivos agrícolas”, destacou.

Paralelamente às fiscalizações, a Coordenadoria de Insumos Agropecuários da Emdagro desenvolve atividades de educação sanitária voltadas aos produtores rurais. Em 2025, foram realizados seis cursos de capacitação, 25 palestras e dez reuniões técnicas sobre temas relacionados ao uso correto de agrotóxicos e à legislação aplicável.

Para os consumidores, a orientação é adquirir alimentos de origem conhecida e realizar a higienização adequada de frutas e hortaliças antes do consumo. Embora parte dos defensivos seja absorvida pela planta, a lavagem cuidadosa e, quando possível, a retirada da casca, contribuem para reduzir resíduos presentes na superfície dos alimentos. “As ações de monitoramento terão continuidade ao longo do ano, com previsão de novas análises envolvendo amostras de milho em grão seco e tomate”, pontuou Aparecida.

Governo

Última atualização: 25 de agosto de 2026 09:56

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